Seis anos volvidos sobre as 1.ª jornadas “Memórias do carvão”, que decorreram na Batalha e em Porto de Mós, onde se discutiu a problemática da preservação e valorização das memórias do trabalho e do património minero-industrial do carvão, é tempo de um novo olhar sobre a temática, agora num quadro onde emergem, de forma acutilante, os paradigmas da transição energética e das alterações climáticas.

A escolha do local:

Rio Maior foi, durante parte do século XX, sede de uma importante exploração subterrânea de carvão (lignite) que abasteceu, entre outros clientes industriais, as centrais elétricas da Cachofarra e a Central Tejo exploradas pelas antigas UEP e CRGE. Embora as propriedades tecnológicas deste carvão impusessem algumas limitações ao seu uso, as reservas conhecidas chegaram a pontar a possibilidade de se construir, à boca da mina (Espadanal), uma central elétrica, projeto preterido perante outras opções. Permanecem ainda imponentes, embora despojados do seu recheio, as mais importantes peças do complexo fabril edificado no Espadanal, onde o carvão era processado, antes da sua exportação, notável peça de arquitetura industrial do Movimento Moderno.

Uma efeméride

Partindo de um cabedal de conhecimento sobre a importância do jazigo de lignite de Rio Maior adquirido ao longo de alguns anos de trabalhos de reconhecimento e exploração, e reunidos os capitais necessários, é constituída em 15 de setembro de 1920, num cartório do Porto, a Empresa Industrial Carbonífera e Electrotécnica, Lda. (EICEL), cujos objetivos principais eram a exploração industrial e comercial das minas de de carvão locais, o aproveitamento comercial e industrial da lignite e seus derivados e a produção de energia elétrica em centrais térmicas (cf. Estatutos). Com um capital social inicial de 450.000$00, a EICEL almejava fazer de Rio Maior, num prazo não muito longo “uma grande e próspera cidade”. Encerrou em 1969.

Novos desafios

De principal fonte de energia primária que foi, e ainda é em várias regiões do mundo, o carvão é um dos grandes responsáveis pela emissão de gases com efeito de estufa, assistindo-se à mobilização da Sociedade, em convénios internacionais de que se destaca o Acordo de Paris (2015) para incentivar a eliminação do seu uso, uma meta simultaneamente ambiciosa e difícil.

Na justa medida em que novos termos e conceitos passam do léxico à prática e implementação – leia-se sequestro de carbono e descarbonização ‒, novos elementos e testemunhos materiais vão sendo acrescentados, todo um património ligado à extração, transformação e usos do carvão entre os quais de destacam os complexos minero-industriais e as centrais elétricas, temas pertinentes das agendas económica, industrial e ambiental.

As jornadas

Pretende-se criar um ambiente informal e facilitador de uma intensa troca de conhecimentos e experiências entre convidados e participantes, num envolvimento internacional, dimensão compatível com a transversalidade e universalidade das duas âncoras (aparentemente antagónicas) das jornadas: ambiente e descarbonização e carvão e memórias industriais.

Organização
Instituto de História Contemporânea (website)
EICEL 1920, Associação para a Defesa do Património (website)
Sociedad Española para la Defensa del Patrimonio Geológico y Minero (website)
Município de Rio Maior (website)

Comissão Executiva
Fernanda Rollo (Instituto de História Contemporânea, NOVA FCSH)
José M. Brandão (Instituto de História Contemporânea, NOVA FCSH)
Filipe Silva (Instituto de História Contemporânea, NOVA FCSH)
Nuno Rocha (EICEL 1920)
António Moreira (EICEL 1920)
Francisco Colaço (Câmara Municipal de Rio Maior)
Antonio Pizarro Losilla (SEDPGYM)
Mariano Ayarzagüena Sanz (SEDPGYM)

Comissão Científica
Ana Carina Azevedo (Instituto de História Contemporânea, NOVA FCSH)
Emilio Lopez Jimeno (UIXAM CONSULTORES S.L. / SEDPGYM)
Fernando Pedrazuela Gonzalez (Diputación Provincial de Segovia / SEDPGYM)
Jorge Fernandes Alves (Faculdade de Letras da Universidade do Porto)
Helena Freitas (Centro de Ecologia Funcional, Universidade de Coimbra)
José Manuel Cordeiro (ICS, Universidade do Minho / APPI / TICCIH)
Josep Maria Mata-Perelló (Geoparc de la Catalunya Central)
Leonor Medeiros (NOVA FCSH / APAI)
Luis Mansilla Plaza (Universidad de Castilla la Mancha / SEDPGYM)
Manuel João Lemos de Sousa (Universidade Fernando Pessoa)
Margarida Genera i Monells (Dep. de Cultura i Mitjans de Comunicació de la Generalitat de Catalunya)
Maria de Fátima Nunes (Universidade de Évora / IHC)
Maria Fernanda Rollo (Instituto de História Contemporânea, NOVA FCSH)
Maria Margaret Lopes (Universidade Estadual de Campinas)
Robert Vernon (Northern Mine Research Society)

Parceiros
APAI – Associação Portuguesa de Arqueologia Industrial (website)
APOM – Associação Portuguesa de Museologia (website)
APPI – Associação Portuguesa para o Património Industrial (website)
Associação Portuguesa de Geólogos (website)
Colégio Nacional de Engenharia geológica e de Minas da Ordem dos Engenheiros (website)
Colegio Oficial de Ingenieros Técnicos y Grados en Minas y Energía de Córdoba (website)
Fundación Cuenca del Guadiato (website)
INCUNA – Industria, Cultura, Naturaleza (website)
Liga de Amigos do Museu Mineiro de S. Pedro da Cova (website)
Museu Mineiro de S. Pedro da Cova (website)
Roteiro das Minas e Pontos de Interesse Mineiro e Geológico de Portugal (website)

Localização das Jornadas